Estreia de Montagem: Orson Welles, Quarteto de Cordas nº 4

Compositor, Músico, Ensaísta, Investigador do CES, Professor na ESML

Estreia de Montagem: Orson Welles, Quarteto de Cordas nº 4

06 de Maio 2018 17:13
Estreia no dia 19 de Julho no Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim a obra Montagem: Orson Welles, Quarteto de Cordas nº 4 pelo Quarteto Verazim, 21.30. Obra editada na Ava Musical Edtions. Ler Nota de Programa em baixo.  
Estreia no dia 19 de Julho 2018 no Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim a obra Montagem: Orson Welles Quarteto de Cordas nº 4 pelo Quarteto Verazim, 21.30. NOTA de Programa Sobre Montagem: Orson Welles, Quarteto de Cordas nº 4

A montagem é uma das características mais importantes da arte cinematográfica. Depois dos mestres russos do início do século XX, Dziga Vertov e Sergei Eisenstein, avulta o cinema de Orson Welles. Na minha memória juvenil recordo um dos seus últimos filmes, Falstaff, de 1965. Creio que todos os compositores usam metáforas, do modo mais diverso e talvez infinito. Cada um usa as suas para cada obra. Neste caso, na composição deste Quarteto de Cordas nº 4, desde cedo se definiu a minha metáfora: a arte da montagem e a vaga memória desse filme particular. Quanto mais vaga mais apta será para um outro uso criativo. Pode-se pensar com justeza que na música há sempre montagem, enquanto sucessão rápida ou lenta de acontecimentos sonoros. Nesta obra em 5 andamentos há numerosas aparições e reaparições de materiais semelhantes ou idênticos sendo até possível imaginar uma outra peça que pudesse ser a recomposição desta de acordo com outra ordem dos eventos. Para não escapar à responsabilidade inerente ao acto artístico, em lugar da obra aberta que, pela mesma altura, nos entusiasmava tanto a leitura como a audição, compus uma única sucessão. O Zeitgeistdaquele período e o deste em que estamos neste momento - ainda por definir completamente - não são iguais de modo nenhum. Um vislumbre disso, das diferentes determinações do meu tempo hoje, será exemplo o V andamento, um Adagio final que remeterá para um outro imaginário nocturno.

António Pinho Vargas, Abril de 2018.

Encomenda do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim.


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